segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Um caminho... O ...

Permitam-me que partilhe convosco 3 poemas, de 3 autores distintos, que hoje o tempo trouxe até mim.
Que sejam poemas que nos façam reflectir sobre a arquitectura do mundo.
Que sejam poemas que nos façam reflectir sobre a exactidão do valor da Vida.
Duvida que as estrelas sejam fogo
Duvida que o sol se mova
Duvida da verdade e da mentira
Mas nunca duvides que eu amo.
Não somos impotentes - nós as pedras.
O nosso poder não passou - nem a nossa fama -
Nem a magia do nosso nobre nome -
Nem a maravilha que nos rodeia -
Nem os mistérios que em nós estão -
Nem as memórias que se nos agarram
E nos envolvem como um hábito,
A nós cobre-nos um manto de mais que glória
Ame infinitamente o finito
Deseje impossivelmente o possível
Queira tudo
Ou um pouco mais
Se puder ser
Ou até, se não puder ser
Ahh, se eu puder aprender, cada dia a medida exacta do mundo. Ser mais justo e perfeito.

domingo, fevereiro 19, 2006

Despedirmo-nos

Há momentos em que a dormência de alma sabe bem. Momentos em que o vazio nos adorna o ser. São pois momentos de vácuo. São momentos em que a tranquilidade nos invade, e sentimo-nos vir de Alcácer Quibir.
Chegamos a casa mas depois? O que se faz depois de uma batalha? Continua-se a guerra ora pois. Ainda há algo a haver...

Há sempre algo a haver...

Serras, baías belas (das mais belas), rios... Ahhh tentativas de tentar sempre mais além, onde todos se calam pois sabem que é verdade. Como num regime onde a Verdade se relativiza, para que a outra, a Suprema se não saiba. Ahhhhh, faltar-nos vontade, porque se pensa que a sociedade nos antecede e pensando pensamos saber que não vale a pena.

Só os factos, só os factos, anteriores, exteriores e coercivos, nos moldam. Mas e então se tudo é facto. Se apanho um avião e vou para Londres beber um café, para quê saber de onde vivo, para quê saber se o buraco da estrada é tapado pelo presidente da junta de freguesia onde habito?

E digo tudo o que tenho para dizer e fica sempre por ser dito. Oculto ou discreto. As coisas importantes da vida, não o são?

E assim, pergunta-me aquele trabalhador Real " Oh senhoria, fica na acta?"

Ficar na acta para quê? Fica sempre por dizer, há sempre algo a haver. Porque não o local onde habito, porque não Portugal?

Sempre Portugal

A Verdade, a Verdade, a Verdade.
Hoje em Portugal, muito se escreve, muito se escreverá sobre Ela.
Hoje é como se fosse um bocadinho, dia de Portugal no centro do Mundo.
Hoje temos a Verdade em Portugal. É como se sim.
Hoje a República festeja a Verdade.
Hoje o sol baila.
Hoje com chuva, granizo, o sol trará flores à nação.
Hoje a simplicidade será o Verbo.
Hoje Portugal será um Reino. Um Reino sem fim.
Hoje Portugal não terá amanhã, porque o amanhã é hoje e o futuro não é mais incerto.
Hoje todos somos católicos.
Hoje todos comemos da àrvore do Conhecimento da Vida.
Hoje todos seremos Adão.
Hoje será um dia Justo e Perfeito.
Hoje a energia gravítica das pedras será a mais democrática de todas.
Hoje, da Lusitânia ao Mundo, seremos o Universo.
O Hoje está garantido. Para Hoje há. Para amanhã Ele dará...

Sobre o "caso 24 Horas" que é sobre o "caso envelope 9", que por sua vez é sobre o "caso Casa Pia" que é, efectivamente, sobre o "caso Portugal"!!!

Diz António Barreto no PÚBLICO:

"O ataque ao jornal 24 Horas é um exemplo flagrante. Protegidos pela lei, pois claro, um juiz, vários procuradores, a PJ, a PSP e a GNR assaltaram a redacção do jornal, confiscaram computadores e discos informáticos e entregaram notificações a vários jornalistas entretanto acusados de crime e constituídos arguidos. Como não se trata de um jornal benquisto pelas elites, o caso passou relativamente à margem dos grandes escândalos. Mas é um caso muito sério e grave.
(...)
Seria bom que percebessem que os direitos dos jornalistas são instrumentais, isto é, garantem os direitos dos cidadãos e a liberdade de expressão e informação. É por isso que o caso é grave."