quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Sobre "A lenta dissolução dos partidos" de JPP

Enviado a Pacheco Pereira e publicado no Abrupto:
"Ao ler o seu post "A lenta dissolução dos partidos" não pude, numa primeira análise, deixar de constactar a sua convicção na ausência ou, pelo menos, fraca presença do antipartidarismo e antiparlamentarismo, bem como do pensamento ideológico radical. Mais, que considera os dois "antis" como ditactoriais!
1º - Não vejo a razão, o fundamento, para o "passado da ditadura". De facto, podemos encontrar o antipartidarismo e parlamentarismo históricamente na ditadura (falando de Portugal). Contudo, não me parece saudável considera-los como seus filhos ou mesmo pensamentos exclusivos. Da mesma forma que é de todo errado afirmar que os partidos são essênciais ao funcionamento da democracia. O senhor sabe bem que não o são... muito pelo contrário!
2º - O radicalismo... o radicalismo encerra em si uma vontade própria, insubstituivel e em qualquer outra parte inexistente, de ser fiel. Porque se por um lado a relactividade não é bem o que parece, por outro a objectividade (entendamos dogmatismo) é bastante mal rotulada. Dizer-se, ainda que implicitamente, que o radicalismo é fundamentalista, é tão errado quanto a interpretação e aplicação actuais da última expressão. Ser radical é ser fiel à raiz de um pensamento estruturador da vida social, económica, afectiva, etc... como a própria palavra indica!
3º - Como estudante de Comunicação Social, não posso deixar de concordar consigo ao antever a situação mediática que dá já hoje sinais. Este 4º poder que emerge mais e mais, transversal a todos os outros, depende e faz depender: depende do produto informartivo, ao mesmo tempo que o gera pela pressão que exerce devido aos meios de que dispõe. É quem os controla, aos meios e ao jogo de poder que estes potenciam, que verdadeiramente exerce autoridade. Como diz Harold Innis, "todo o império, toda a sociedade, que pretende uma certa perenidade deve realizar um equilibrio entre um media que favorece o controlo do espaço e outro que assegura a sua reprodução no tempo". E o poder que o novo paradigma multimédia tem em distorcer estas duas noções, a temporal e a espacial, cria no ciberespaço e nas possibilidades do hipertexo uma fuga a esse equilibrio forçado e com objectivos pré-definidos, numa democracia incomparavelmente participativa, construida pelos próprios, inventada a cada segundo, na fuga da capitalização da informação. Quem precisará dos partidos como estrutura que dá voz a um pensamento comum, quando poderemos individualmente (se a info-exclusão de Castells não for demasiado elevada) criar a nossa ideologia, num liberalismo de ideias desmedido, quem sabe acompanhado pelo economico (ainda que paradoxalmente)? Um liberalismo ideológico dependente da abstracta "consciência colectiva" e do sucesso da "juventude metropolitana" que idealizou o futuro da rede".

1 Comments:

Blogger Jorge Afonseca said...

"Quem quer marchar prá esquerda que marche, quem quiser marchar prá direita que marche, quem quiser ficar parado, que assim fique...assim tão bem...pronto não se mexam, sim...sim, não, decidam-se...e pronto alguém que diga ao indivíduo que passou da direita prá esquerda, lá vai outro e desta vez da esquerda prá direita, quem os entende..."
A política é assim, é 1 gajo a tentar tirar uma foto e o pessoal sempre a mudar de sítio, inconsequentes...mas vá lá não se lembram de mudar de nome nem fazem plásticas...assim topamo-los á distância...
Mas ainda bem que á democracia assim, corremo-los quando não gostamos deles e pronto "Que venha(m) outro(s) melhor(es)". Quanto á necessidade que nós sentimos deles enquanto entidade representativa de uma ideologia comum nos termos da situação a acima descrita, deixemos pra'manhã o que pode acontecer...pois nem toda a teoria predispõe-se a uma realização, quanto mais, plena...julgar algo que ainda não se realizou, como certo, não é para mim correcto, mas cada um sabe de si...
E pronto "click" já tá a foto, quem ficou, ficou, quem não ficou...ficasse

5:30 AM  

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