domingo, abril 23, 2006

A festa azul e branca

Este mês, em Portugal, há mais de três décadas, é considerado o mês da libertação.
Neste mês, os seres humanos que residiam naquilo que Alberto João "da Madeira" chama de rectângulo, esses seres humanos acharam-se libertos.
Este mês em Portugal, há mais de três décadas, é aquele em que os seres humanos portugueses de um Portugal que andou nas caravelas, mas em que isso agora não interessa nada, se permitiu inscrever numa ordem social diferente. Permitiu ir-se institucionalizando numa ordem social normativa, que desconhecia até então, porém numa ordem social que como qualquer outra tem que comportar o conflito.

No "Regime Antigo", em que os nomes das famílias "nobres" era elevado a categorizações intrinsecamentes ligadas ao poder do divino, passou-se para outro instituido. Um outro, em que a facilidade do ser do contra é tão mais apetecível quando se está no sofá de casa, porque não é daí que parte certamente alguma sublevação.

Porque nos esquecemos que para um humanista a sério, não deve, não pode, haver monstros ou santos...

Porque nos esquecemos colectivamente, ou não somos donos de pensares individuais, que certos homens melicianos passaram de uma situação a favor de um regime colonialista, para mudarem os seus pensares como libertadores. Porque foram então os melicianos os libertadores?

Porque existe ainda um preâmbulo constitucional tão obsoleto? Razões históricas somente?

Hoje anomicamente estamos na portugalitude em que as vagas instituições sociais de trinta décadas nos permitem. Hoje na pós modernidade que daqui a trinta outras àguas já não vamos estar seremos talvez Marx, vivendo à custa dos amigos, engananado a mulher com empregadas. Seremos desempregados, passando o tempo todo fechados em bibliotecas a escreveres tratados baseados em estatistica.

Veremos depois Carvalhas, Jerónimos, e veremos neles as caras de Lenine, de Marx, perpetuando os líderes da modernidade póstuma. Soubessem depois os minitros que são os escravos.

Mas a dominação simbólica é tão saborosa... Nem é preciso dominar, conveça-se somente da dominação.

"Antes de mim o dilúvio depois de mim o caos." Calma, calma, calma. Page-se os impostos, as borboletas ainda não bateram as assas. O habitus está lá, permite-nos fugir às armadilhas do subjectivismo, inscreve-se como uma realidade pacífica dentro de nós, não se quer funcionalismo pois não? Agora cá falar de estratificação e desigualdades hieráquicas, os senhores faltaram à votação plenária, falamos mal deles, mas eles são a base do sistema e no dia 25 todos vamos cantar a nação dos barões assinalados. O senhor João da Madeira que se cuide, se não festeja a libertação para a próxima arranja-se maneira de o ir por dançar o Carnaval para outro lado.

O poder só existe num lugar. Porque para nós, ele não se tem, faz-se, constroe-se permanentemente. Porque se julgar o contrário estará ENGANADO.
Atreva-se a mudar, páre, escute e olhe. Observe e sinta. Tenha um governo mais real. Porque não sair para a rua com bandeiras azuis e brancas que sempre foram suas, e não falo das dragonadas.

Mestre, meu mestre, tens tanta razão. "Aquilo que é e que não pode deixar de ser."

A ti o meu muito obrigado

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